21 de novembro de 2019 às 10:03

Artista goiano diagnosticado com esquizofrenia usa a música e a poesia para lutar contra o preconceito Alysson Mariano, de 34 anos, é autodidata, cantor, compositor e escritor. Ele escreveu um livro de poesias, mas precisa arrecadar dinheiro para lançar a obra.


Crédito:Reprodução/Arquivo pessoal

Apaixonado pelas palavras desde novo, o goiano Alysson Mariano, de 34 anos, aprendeu a ler e escrever sozinho aos 4 anos de idade - antes mesmo de entrar na escola. A paixão pela escrita e literatura acabou se transformando em profissão: Alysson é cantor, compositor e escritor.

O artista, que em 2012 foi diagnosticado com esquizofrenia, depressão e fobia social, conta que encontrou na música e na poesia uma maneira de “enfrentar as limitações”.

“Descobri uma felicidade que eu não sabia que existia. Busco traduzir em palavras e sons a verdade que vivencio. Costumo dizer que busco construir um legado”, afirma.Por causa das doenças, Alysson conta que já enfrentou bastante preconceito.

“As pessoas me percebiam diferente quando eu tentava ser normal. Passei por muitos casos de bullying, mas sempre busquei nos livros, videogames e na música uma espécie de refúgio”, diz.

Aos 8 anos, Alysson começou a tocar piano e se encantou pelo universo da música. Aos 14, compôs a primeira canção. Atualmente, o músico tem uma banda de rock internacional chamada Hardflow.


Além da trajetória musical, o goiano também decidiu se aventurar pela escrita. Ao longo deste ano, Alysson escreveu um livro de poesias chamado “Sobre ela, sobre mim”, que reúne cerca de 40 sonetos dedicados a uma pessoa que marcou sua vida.



“Escrevi para uma pessoa que conheci em 2011 e que não me quis por causa das minhas limitações. Fiz o livro para dizer que sou maior que todas essas dificuldades e que posso amar também”, afirma.

O livro, apesar de já estar pronto, ainda precisa de patrocínio para ser lançado. Em uma rede social, Alysson criou um perfil com trechos das poesias na tentativa de arrecadar o valor necessário para publicar a obra.

“Já consegui uma editora para publicar, mas preciso de investidores para pagar a primeira tiragem”, explica.

Luta contra limitações e preconceito

Alysson, que mora em Goiânia, conta que a trajetória não é fácil. Além de enfrentar preconceito dos conhecidos, o músico e escritor também teve dificuldade para se dedicar à carreira artística, pois a família gostaria que ele se formasse em direito.


“Eu até cheguei a fazer direito, fui até o oitavo período, mas não conseguiu me formar pela fobia social, eu não conseguia mais entrar na sala”, diz.

Segundo o artista, em sua pior fase, ele chegou a passar 17 horas do dia sedado, a base de remédios. “O restante do dia que conseguia ficar acordado, eu tentava escrever”, conta.

Animado com a possibilidade de lançar o livro, ele também se prepara para realizar a primeira apresentação em público da banda, programada para janeiro de 2020.

“Estou produzindo vídeos, editando clipes, enfim, fazendo tudo para entregar um material completo”, conclui.






Fonte: G1 GO

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